Regresso do regresso?

O projecto “Não há vacas sagradas” foi um resultado de várias conversas remotas que divertiam quem participava nelas. Partilhámos esse divertimento com o mundo (pelo menos, com quem se cruzou, sem querer, connosco ou com quem foi vítima de SPAM nosso).

Parece um lugar-comum. Amigos juntam-se, falam de vários temas, riem-se e concluem que fazem um favor ao mundo em partilhar as suas conversas. Admitidamente o fizemos. Não tivemos sucesso, nem isso era o objectivo.

No entanto, como muitos projectos que nascem de impulsos, o entusiasmo foi esmorecendo. A coordenação de agendas para gravar, a disponibilidade e energia para editar, os pormenores da publicação, tudo isto era divertido ao início. Tornou-se um tormento.

Também amadores fomos na despedida: não houve. Talvez não quisessemos admitir que o projecto tinha morrido. Talvez quisessemos pensar que, no próximo mês, vamos ter mais tempo e voltar a gravar. Provavelmente, sabíamos que não voltaríamos mas, tipicamente desprendidos, deixámos apenas cair. Felizmente, o facto de não termos seguidores poupa-nos a frustração de os desapontar.

A solo, fiz um esforço individual para colocar em prática algo que pensava ser interessante, utilizando um feed existente. Tornou-se em mais um exercício fútil de fazer algo para sublimar o quotidiano. O segmento (se lhe podemos chamar assim) “Traumas de infância” foi uma tentativa de humorizar e racionalizar a percepção sempre distorcida de acontecimentos da infância que nos marcam. O intuito de intorduzir humor foi distorcido em algo mais obscuro e quase terapêutico. Mais uma vez, o peso dos dias se sobrepôs e, também este mini-projecto, se finou.

Então o que é isto agora? É um regresso? É um teaser? Ou é uma despedida final e formal.

Não sei. O meu desejo é que seja um teaser para algo novo. O projecto inicial parece tão distante no tempo que acredito que fosse algo completamente diferente hoje. Não me envergonho com o que fiz e disse, não me arrependo. No entanto, hoje já não concordo com algumas das coisas que disse. Já não vejo o mundo sem vacas sagradas.

Agora entramos na parte cliché (como se, até aqui, não o fosse também). Senti necessidade de escrever este post por duas razões:

  • Porque recebi um email do WordPress a indicar que o meu cartão de crédito para pagar o domínio e o plano não estava autorizado;
  • Porque me deparei com um poema do Bukowski que me fez pensar sobre o que quero fazer.

A primeira razão é fácil de tratar: vai-se à vida o domínio e o plano pago porque vamos entrar na pior crise das nossas vidas.

A segunda é difícil de lidar. O poema do Bukowski é o “Go all the way”. Para quem não conhece, fica aqui o poema.

If you’re going to try, go all the way. Otherwise, don’t even start. This could mean losing girlfriends, wives, relatives and maybe even your mind. It could mean not eating for three or four days. It could mean freezing on a park bench. It could mean jail. It could mean derision. It could mean mockery — isolation. Isolation is the gift. All the others are a test of your endurance, of how much you really want to do it. And, you’ll do it, despite rejection and the worst odds. And it will be better than anything else you can imagine. If you’re going to try, go all the way. There is no other feeling like that. You will be alone with the gods, and the nights will flame with fire. You will ride life straight to perfect laughter. It’s the only good fight there is.

Go all the way, Charles Bukowski

Coloquei o poema como quote apenas para ver como ficava. Tenho de aproveitar os recursos do site, se não mais vale cancelar já o plano pago (ainda não decidi se vou deixar de pagar… O meu lado burguês diz-me que posso pagar um domínio, mesmo que não o utilize).

Este poema fez-me pensar se alguma vez na vida, em todas as actividades que fiz, fui mais fundo do que apenas a fase de “experimentar e ver o que dá”. Conclusão óbvia: não. A questão seguinte que coloquei desafiou-me: posso pegar no site e utilizá-lo para escrever variadas coisas em diferentes registos? Conclusão óbvia: sim. Mais uma questão: e vou fazê-lo com regularidade, sem me preocupar com feedback e com aceitação? Conclusão óbvia: não. Última questão: então e ainda assim acho que vale a pena fazê-lo? Conclusão óbvia: sim.

É aqui que me afasto da ideia expressada no poema do Bukowski: se não for para tomar um compromisso sério com a arte, mais vale nem começar. Acredito que é possível ter uma relação à distância com a arte, se o objectivo não for o reconhecimento e a validação externa. Se o objectivo for a pura partilha, o exercício da técnica, o treino e a prática, não é necessário ir a fundo. Tem de haver uma avaliação regular sobre se faz sentido continuar ou não. Mais, a dedicação à arte tem as suas vítmas e eu não estou disposto a sacrificá-las.

Esta posição tem conclusão óbvia: fracasso e abandono; frustração e inércia; vergonha e sentimento de fraude.

Neste momento, estou a dedicar-me à escrita de stand-up. Tenho vários textos escritos, quatro actuações em que metade tiveram bons resultados e metade foram desastrosas, e a paixão pueril de querer fazer mais pessoas rirem com o que digo. Não vou fazer deste site o meu “blog de bits”. Vou utilizá-lo como uma ferramenta de análise.

Estamos, como sociedade, a começar um processo definidor das próximas décadas. Uma pandemia veio, em poucas semanas, lembrar-nos que não somos uma espécie divina e que as catástrofes batem à porta de todos. Assim, o site também irá ter reflexões sobre o que se passa e como se passam estes dias.

Vai haver conteúdo sério, sarcástico, cáustico, palerma e idiota. Todo misturado porque não sei falar de coisas sérias sem ver o humor que há na tragédia, nem utilizar o humor sem ver qual a realidade por trás de uma simples piada.

Vou manter o podcast vivo no feed. Vai ser o meu “memento mori”. Tenho outros projectos de podcasts (pelo menos dois em conversações, sem ambição de sucesso mas apenas para divertimento) mas, a surgirem, vão ter um feed diferente, sejam a solo ou colectivos.

Vou manter o site vivo, com ou sem domínio, com ou sem plano pago. Tenho direito ao meu espaço e vou utilizá-lo. Se assim se justificar, haverá convidados externos. Sem promessas nem propostas.

Vamos experimentar e ver se dá.

Trauma 5 – Toalhas de banho partilhadas

Olá pessoas, esta semana falamos de toalhas de banho partilhadas. Pode parecer um trauma estúpido (como todos os outros) mas depois de o ouvirem o vosso próximo banho não vai ser igual aos outros.

Neste episódio, vão ouvir a frase mais significativa que alguma vez na história disse a um filho. Não vamos spoilar o climax do episódio, apenas podemos revelar isto: é profunda, tem classe e ainda hoje é marcante.

Podem participar nesta coisa enviando os vossos traumas para naohavacassagradas@gmail.com e faremos questão de partilhar o vosso trauma na próxima edição. Ou não. Se forem fraquinhos, não vale a pena. Para isso ainda temos alguns guardados para os próximos episódios.

Este episódio veio com duas semanas de desfasamento relativamente à expectativa do seu lançamento. E por isto, não pedimos desculpas porque fazemos o que queremos.

Até para a semana!

 

A edição é de João Frade.

O jingle de abertura foi produzido por Pedro Gancho.

 

Podem ouvir-nos nas seguintes plataformas:

iTunes: https://tinyurl.com/itunes-nhvs

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Anchor: https://anchor.fm/nao-ha-vacas-sagradas

 

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Trauma 4 – Bonecas sem olhos

Pessoal, esta semana falamos de bonecas sem olhos. E mais, bonecas sem olhos em casa de velhos, o que significa que as bonecas cheiram a velha. E vos roubam a alma. É, cientificamente comprovado que todas as bonecas sem olhos fazem isso.

Até para a semana!

 

A edição é de João Frade.

O jingle de abertura foi produzido por Pedro Gancho.

 

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Trauma 3 – Carrocel

O trauma desta semana leva-nos até ao longíquo ano de 1989, na Póvoa de Santo Adrião. Uma viagem no tempo, como todas as memórias. E sim, é Carrocel com “c”.

Para terem noção do que estamos a falar, fica aqui um link para o anúncio do gelado Carrocel da Olá.

O vídeo foi publicado pelo blog desenhosanimadospt.blogspot.pt ao qual não temos acesso. Aparentemente é o único local na primeira página de pesquisa do Google que tem alguma evidência da existência deste gelado. Kudos para o blog.

Nota da edição: lá para o meio é referido um “Ziman”. O que é pretendido dizer é “(…) não podia ter os He-Man que queria (…)”. He-man, linha de bonecos. Esses que vocês sabem.

A edição é de João Frade.

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Trauma 2 – Vinagre

Aviso: este episódio pode chocar os estômagos mais sensíveis.

Falamos de vinagre, das suas utilizações não culinárias e a relação com a podologia. Interessante, não?

 

A edição é de João Frade.

O jingle de abertura foi produzido por Pedro Gancho.

 

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Trauma 1 – Cheiro a velha

Neste primeiro trauma falamos de cheiro a velha.

Preparem já a vossa lata de laca, o frasco de Chanel nº5 e um creme de rosas para terem uma experiência imersiva. Deleitem-se.

 

A edição é de João Frade.

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Traumas de Infância – novo segmento do podcast

Olá pessoas!

Como têm passado. Nós por aqui andamos bem, descansadinhos sem fazer nada.

Mas a vida boa ACABOU! Sim, estamos de volta.

A nossa rentrée veio um pouco mais tarde porque fazemos outras coisas da vida para além disto. Infelizmente… Só precisávamos de ser suficientemente bons para termos uma conta no patreon e patrocinadores. Nada difícil, atingir a excelência.

Mas não, somos maus, com conteúdos que se podem caracterizar com uma onomatopeia: blherg.

 

E por isso mesmo vai ser lançado hoje um novo segmento. É um projecto a solo de João Frade, o nosso coiso de serviço. Depois de uma profunda autoscopia, João concluiu que o seu falhanço na vida não se deve a si próprio mas a todos os traumas de infância que tem. Sim, traumas pesados de alguém que teve uma infância privilegiada e a quem nunca faltou nada.

Este segmento irá (tentativamente) ser lançado semanalmente. Sim, cada semana terá um trauma novo. Até se poderão fazer episódios temáticos, mas sem promessa. Se bem que o natal tem muito trauma acumulado.

 

Desfrutem dos traumas de infância do nosso colaborador João Frade e partilhem os vossos também através do nosso email naohavacassagradas@gmail.com ou deixando comentários no site ou nas plataformas de podcast.

See ya!

 

Podem ouvir-nos nas seguintes plataformas:

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S01E04 – GDPR e privacidade, despedimentos estúpidos e Ni

Olá novamente, pessoas!

Depois de algum tempo de silêncio (não foi muito, só um mês) voltámos em força. É um episódio curtinho mas cheio de coisas boas.

Abordamos temas do momento como por exemplo:

  • GDPR (ou como a UE nos tenta enganar dizendo que ainda temos direito à privacidade. Hilário, certo?)
  • Despedimentos com origem em posts do Snapchat (mas calma, ainda fica mais interessante)
  • Ni (só quem conhece a obra de Monty Python irá reconhecer esta pequena homenagem. Sim, somos snobs relativamente aos Monty Python)
  • Há a referência a canibalismo também, mas na forma conceptualizada e não material
  • Papel higiénico vs. toalhitas vs. educação: o que é mais útil na hora da masturbação?

E mais temas por aí espalhados. Não dissemos que era cheio de coisas boas?

Uma palavra para os nossos ouvintes: obrigado! (…igado …ado …ado …ado…)

Divirtam-se e digam coisas! Queremos saber a vossa opinião para a ignorarmos e continuarmos a fazer o que quisermos.

A conversa é de João Frade e Álvaro Pizarro.

A edição é de João Frade.

O jingle de abertura foi produzido e narrado por Pedro Gancho.

 

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S01E03 – Pastorinhos, vilões e piadas juvenis

Olá pessoal!

É verdade, conseguimos chegar ao terceiro episódio! A todos os haters (nós próprios): eat a dick! We made it!

Este episódio é, de longe, o mais rico quanto ao conteúdo, principalmente pelo estado de humor de um dos conversadores.

Fizemos piadas juvenis envolvendo a Sardanha e salsichas (no homo!), falámos sobre o Thanos e outros vilões portugueses, como Ricardo Salgado, José Sócrates, Oliveira e Costa e as suas sandes. Como não podia deixar de ser, falámos também de Fátima e das nossas suspeitas de incesto e abuso de substâncias psicotrópicas por parte dos pastorinhos.

Neste episódio introduzimos também o conceito “podcast Wally”, onde podem tentar identificar os sons de fundo de loiça a ser arrumada. Dou-vos uma dica: é loiça lavada. É este o nível de profissionalismo deste programa.

A conversa é de João Frade e Álvaro Pizarro.

A edição é de João Frade.

O jingle de abertura foi produzido e narrado por Pedro Gancho.

Divirtam-se!

 

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S01E02 – Vegans, música e outras coisas

Neste segundo episódio do nosso querido podcast, falamos de Vegans (muito pouco, o título é apenas clickbait) e da música actual (que é tão boa que ficamos contentes por ainda não ser possível cheirá-la).

Falamos também de outras coisas, como Mário Machado a trabalhar no MacDonald’s e como as estatísticas mostram que a igualdade de género não é mesmo igual.

A conversa é de João Frade e Álvaro Pizarro.

A edição é de João Frade.

O jingle de abertura foi produzido e narrado por Pedro Gancho.

‘Bora lá a isto.